Ser dono de negócio ou gestor de pessoas é uma tarefa que requer empatia. Em alguns momentos os objetivos do colaborador podem estar desalinhados com os da empresa e geralmente opta-se pela saída mais traumática porém “fácil”, a demissão. A máxima que vem sido falada pelos departamentos de Recursos Humanos é simples: contrata-se por currículo, demite-se por comportamento.

Mas fica a dúvida, porque isso acontece?

Segundo a ergologia, área de estudo de situações de trabalho e os saberes do trabalhador, as relações trabalhistas são permeadas por necessidades das mais diversas como a provação social, ascensão profissional ou suprir necessidades financeiras/básicas.

No Brasil, especificamente, 90% das pessoas inseridas no mercado estão infelizes em seus empregos. O estudo da London School of Economics revelou a nova tendência de profissionais de mercado, e como empresas podem se beneficiar dela. Pessoas mais felizes tem um rendimento 33% superior em relação às que estão se sentindo infelizes. Tal número revela que a tendência é a de que colaboradores tendam a alinhar propósito de vida à atividade fim das empresas.

A plataforma de empregos Glassdoor ( Antiga Love Mondays ) reforça o discurso, em 2018 foi realizado um levantamento com quase 4500 usuários, e a pesquisa revelou que 70% das pessoas empregadas atualmente desejam mudar de trabalho. Outros 6% desejam realizar uma transição de carreira e apenas 24% desejam permanecer onde estão.

O motivo do desejo de mudança? Quase 30% desejam alinhar trabalho e propósito de vida, 28,9% não veem oportunidades de crescimento e dentre outros fatores relevantes, foram citadas: liderança insatisfatória, baixa qualidade de vida no trabalho e ambiente de trabalho ruim.

Em resumo, o gestor deve-se preocupar com estratégias que alinhem os interesses das partes envolvidas, ou seja, colaborador e empresa, através dos considerados “Pilares da Gestão de Pessoas” que são: Motivação, Processos de Comunicação, Trabalho em Equipe, Conhecimento e Competência e Treinamento.

Pensando em você, separamos algumas dicas de como seguir os pilares para que a Gestão de Pessoas da sua empresa fique cada vez melhor.

 

 

 

 

1.      Motivação

Esse tópico parece ser algo bem abstrato, mas calma! Sem pânico. Cada ser humano possui algum tipo de estímulo diferente para se sentir motivado, contudo, o gestor pode fazer a diferença em pequenas atitudes.

Parte do cotidiano de empresas, sejam elas grandes ou pequenas, é atingir objetivos. Não necessariamente em metas complexas em que só a gerência consegue entender, mas em objetivos palpáveis, como atingir o número de vendas individuais ou coletivas ou não ter acidentes de trabalho, por exemplo.

Além das metas a serem batidas, tenha em mente o pós-meta, ou seja, comemorações. Pequenas comemorações e bonificações são muito bem vindas pra manter o bom ambiente da empresa e trabalhar o reconhecimento pelo esforço do colaborador.

Não precisa ser sempre um cheque gordo , mas atitudes como liberar mais cedo do trabalho para que o mesmo tenha um momento de descanso e possa curtir a família ou realizar uma pequena confraternização fora do ambiente de trabalho. Dessa forma, há a possibilidade de existir uma quebra de rotina que seja benéfica, aliviando assim a pressão por metas e também do dia-a-dia do trabalho.

Claro que se o retorno do funcionário for proporcional a grandes ganhos da sua empresa, é interessante considerar uma promoção ou aumento salarial. A forma citada há pouco, se refere a um momento em que a contratação já aconteceu, contudo pode-se evitar transtornos e desgastes no próprio ato da contratação.

Ao entrevistar o candidato, explique os planos da empresa, a forma como você trabalha e o que é esperado do funcionário. Dessa forma, evitam-se frustrações e pessoas desiludidas pedindo demissão, e gerando um retrabalho de contratação para a empresa.

Em resumo, as palavras de ordem são reconhecimento e alinhamento.

 

2.     Processos de Comunicação

Em ambientes com poucos funcionários a comunicação com o proprietário/gerente é mais próxima e faz parte do cotidiano. Complementando o item da Motivação, é muito importante que todos na empresa saibam onde querem chegar e como irão fazê-lo. Isso somente é possível através de uma abordagem próxima, onde o gestor sempre incentive o diálogo entre colaboradores e hajam feedbacks constantes (e construtivos) e se trabalhe a transparência.

Afinal, uma das formas mais efetivas de se detectar pontos de melhoria e através do olhar interno, onde todos sintam-se incentivados a ter um olhar crítico, e a partir disso, sintam-se parte da organização/empresa que trabalham. Nesse ponto vamos destacar duas palavras abertura e pertencimento.

 

3.    Trabalho em Equipe

Podemos ter pessoas muito motivadas a atingir metas e com um bom canal de comunicação, mas de nada adiantam esses pilares se elas não souberem trabalhar juntas. Se nos permite, traremos o ditado popular:

“Quer ir rápido? Vá sozinho. Quer ir longe vá em grupo!”

Resumindo, você pode até conseguir realizar uma tarefa que tenha conhecimento sozinho, bem feita e rapidamente, contudo, de nada isso adianta se a sua equipe não souber realizá-la quando você não estiver presente. Trabalhar em equipe é estar cercado(a) de pessoas que completem suas habilidades e consigam ter uma visão crítica diferente que possa agregar ao seu ponto.

Em adição ao que foi levantado, caso haja o senso de unidade, transparência da importância de cada função exercida na empresa e como ela afeta positivamente ou negativamente, em caso de ausência, o desempenho da empresa, os colaboradores terão de maneira mais clara qual o seu papel.

Uma última dica que deixamos para este pilar é o de incentivar momentos de descontração, junto com o pilar da motivação, esse item tem como objetivo estreitar relações entre os membros da equipe, para que haja um ambiente propício para confiança mútua e empatia.

4.    Treinamento e Conhecimento

Buscando adaptar um pouco mais para a realidade de pequenos e médio empreendedores, unificamos os últimos dois pilares, para que você possa aplica-los no dia-a-dia.

Para que haja a cobrança efetiva do colaborador ou até mesmo uma contratação mais assertiva, é necessário que haja um entendimento de quais são suas habilidades, ou seja, o que ele é capaz de entregar. Busque sempre conhecer as limitações e capacidades do quadro de funcionários, para que dessa forma, você possa propor treinamentos ou até mesmo treinar colaboradores de uma maneira que haja o crescimento pessoal dos mesmos e sua empresa consiga resultados melhores a partir de uma mão-de-obra mais qualificada.

Mas lembre-se! Treinamentos e capacitações não se limitam ao desenvolvimento técnico, pois “se demite pelo comportamento”, lembra? Tenha em seu radar treinamentos que ajudem os colaboradores a se tornarem pessoas melhores como, gestão do tempo, oratória ou relacionamento interpessoal. Isso também dará retornos para a sua empresa.

Quer um exemplo? Um vendedor que não possui a oratória boa, também não consegue descrever o produto ou agregar valor ao mesmo no ato da venda, o que prejudica o desempenho da empresa, e as metas do profissional. Caso haja um desenvolvimento na área, o mesmo pode se tornar um melhor comunicador e também será capaz de aproveitar mais oportunidades de negócio e ,por consequência, aumentar as vendas.


Aliado aos pilares da Gestão de Pessoas, também é interessante que a empresa entenda o perfil comportamental de cada um. Em 1928 o psicólogo William Moulton Marston elaborou os conceitos da teoria DISC, onde separou os perfis dominantes das pessoas 4 áreas , confira abaixo:

Dominante

Pessoas que possuem facilidade para lidar com desafios e buscam tomar iniciativa.

Influente

Capaz de influenciar pessoas espontaneamente, comunicativo e está sempre em contato com pessoas

Estável

Evita conflitos  e geralmente é o apaziguador de discussões e possui personalidade mais calma.

Conforme

Possuem facilidade em escutar e respeitar ordens e regras, geralmente se dá bem em locais com processos bem definidos.

 

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